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15/10/2019 - 08:25:00

Frágil no ataque e esvaziada em "tours" sem sentido, Seleção precisa se reaproximar do alto nível

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Os adversários interessantes da seleção brasileira em seu tour mais recente não foram suficientes para tirar dos amistosos um quê daqueles enfadonhos jogos de fim de ano. Amigos do Firmino x Amigos do Mané. Na longínqua Singapura, de público desinteressado, gramado inadequado, árbitros amadores, onde carrões desfilam e a concentração de milionários turbina a economia, a Seleção deu mais um passo para se afastar do alto nível da prática de futebol.

Com exceção do segundo tempo contra a Nigéria, de um gol e quatro chances claras, o desempenho da equipe também não correspondeu ao que já mostrou ser capaz de produzir. Tite e a CBF parecem ter interesses distintos na condução deste ciclo. O técnico dedica-se a buscar melhores opções e fortalecer seu conjunto. A cúpula e sua parceira organizadora de amistosos correm atrás de cifrões mundo afora.

Ambos precisam encontrar atalhos para reaproximar a Seleção da excelência.

O esgotamento de uns, surgimento de outros e as mudanças de clubes e funções de jogadores levaram Tite a buscar novos caminhos para um time que encantou desde sua estreia, em 2016, até o início da Copa do Mundo. Para combater percalços, é preciso estabelecer aquela performance como parâmetro de qualidade e avaliar o que mudou.

O Brasil perdeu força ofensiva. Neymar passou a conviver com lesões, e Coutinho, com instabilidade. Além do trio ofensivo formado por eles e Gabriel Jesus, os laterais Daniel Alves e Marcelo, e os meias centrais Paulinho e Renato Augusto, eram peças habituais das etapas de construção e finalização.

Hoje, a Seleção ataca com Neymar, Coutinho, Gabriel Jesus e Firmino, ou frequentes substitutos, como Richarlison e Everton, além de Daniel Alves, em declínio físico que vez ou outra acarreta declínio técnico.

Alex Sandro tem força em duelos individuais, mas não se destaca pela ida à linha de fundo ou a construção pelo meio. Não será surpresa se Renan Lodi, de boa estreia como titular, tomar conta da posição rapidamente.

No meio-campo, outro dilema. Tite abriu mão do 4-1-4-1 por duas razões essenciais:

    No antigo sistema, Neymar compunha a segunda linha de marcação, pela esquerda, embora sem a mesma disciplina de recomposição de Coutinho, na direita. Agora, o camisa 10 fica mais livre das etapas defensivas. Por enquanto, a produção ofensiva individual e coletiva não compensa a mudança;
    No 4-1-4-1, Arthur ocupava a vaga de Paulinho ou Renato Augusto como meia central, e ficava distante da saída de bola, ato do jogo no qual mais se destaca. Fazê-lo receber a bola na faixa de campo onde os antecessores recebiam é desperdiçar o que ele tem de melhor.

A Seleção tem hoje dois volantes, Casemiro e Arthur. Ambos são “camisa 5”. Embora muito diferentes, o melhor de cada um é extraído numa faixa mais recuada. O jogador do Real Madrid na marcação, o do Barcelona na saída de bola. Quando invadem a parte ofensiva do campo, Arthur abusa dos passes laterais e Casemiro insiste em bolas longas.

Nenhum deles se integra ao setor ofensivo para construir superioridade. Não pisam a área, pouco finalizam, tabelam, triangulam ou agridem os espaços criados por Firmino, estimulado a se movimentar para ser o quarto homem de meio-campo, como no Liverpool. A velocidade da equipe inglesa na retomada da bola e a infiltração dos “pontas” Salah e Mané são características que, hoje, a Seleção não apresenta.

Mais do que encontrar um lugar para seus principais jogadores, o desafio de Tite é buscar equilíbrio para não prejudicar o funcionamento coletivo, ainda que seja preciso abrir mão de certas escolhas.

A próxima chance de ajustes será no mês que vem, contra Argentina e Coreia do Sul, em Riade e Abu Dhabi. É difícil estimular jogadores das melhores ligas do mundo a disputarem amistosos num ambiente tão insosso quanto gramados com marcação de futebol americano e afins.

São poucos dias de treinos, longas viagens que criam limitações físicas, baixo interesse de mídia e público. E a Seleção faz uma preparação quase clandestina para 2022, enquanto Argentina, Uruguai e Peru conseguiram recentemente enfrentar grandes seleções europeias.

Em 2014, o Brasil jogou em Singapura. Na ocasião, Dunga fez duras críticas ao gramado do estádio. O treinador também havia convocado Everton Ribeiro e Ricardo Goulart, os principais jogadores do Cruzeiro que liderava o Brasileirão e, desfalcado durante a data Fifa, sofreu duas derrotas.

Tite, Dunga, Felipão, Mano Menezes e tantos outros que passaram por isso não devem ser responsabilizados por levarem atletas nos períodos designados ao trabalho deles. Pelo contrário. Já fazem concessões demais diante da cobrança daqueles que dizem não ligar para a Seleção, mas não passam um dia sequer sem tuitar sobre o tema.

Os técnicos devem responder, sim, pelo que seus times fazem e/ou não fazem em campo. O resto cabe à CBF, que adora se dizer modernizada, mas vive nos provocando a sensação de déjà vu.

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