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Colunas

08/01/2020 - 11:39:00

O próximo patamar do Flamengo

Clube precisa dar novo salto para poder segurar seus ídolos potenciais e grandes jogadores

Se der tudo errado para o Flamengo em 2020 - e isso só acontecerá se Jesus sair, se Bruno Henrique sair, se o dinheiro se evaporar -, o time voltará a um patamar que viveu nos últimos anos. Se der tudo certo, e o time vencer o que venceu em 2019, mesmo que conseguisse o bi Mundial, o time apenas se manteria no nível de excelência que atingiu, esportivamente não há muito mais a acrescentar - e se conseguir manter o que tem já será algo de sonho para o torcedor rubro-negro. Mas há um patamar que o clube ainda não atingiu, e se não achar que é impossível pode chegar lá: ter cacife para segurar jogadores, colocar multas rescisórias num nível que os europeus venham com menos sede, fazer com que ídolos, ou que tenham potenciais para ser ídolos, tenham no clube coisas que os atraiam mais do que a Europa. Mudar à vera, enfim, o que Jorge Jesus mais uma vez detectou: o Flamengo (leia-se, o futebol rasileiro) não sabe valorizar o que tem. Se sabe, não consegue.

Houve um tempo, longo, em que, a despeito da grandeza do clube, do tamanho da torcida, da história, dos títulos, a maioria dos jogadores não queria jogar no Flamengo. Porque o clube entrava em crise na segunda derrota, porque não tinha estrutura e, principalmente, porque atrasava ou não pagava salários, obrigava os profissionais a receber na Justiça. Era o tempo em que um campeão do mundo como Vampeta fingia que jogava porque o clube fingia que pagava.

Isso parecia imutável, mas mudou. A dívida do Flamengo parecia impagável. E hoje está equacionada. O Flamengo era o time do cheirinho. E num mesmo semestre foi campeão brasileiro, sul-americano e só perdeu do campeão europeu na prorrogação. O Estadual parecia intocável, e o clube vai disputá-lo com o sub-20. Ou seja: diretoria e comissão técnica fizeram coisas que pareciam inimagináveis - e para 90% dos clubes ainda são. Ora, então está na hora de todos trabalharem para que novelas como as de Gabigol e Reinier não se repitam.

Imaginem se o Vinicius Júnior e Paquetá ainda estivessem no elenco. Imagine se o Flamengo pudesse cobrir as propostas por Gabigol e Reinier - seria como se esses dois jogadores fossem recontratados pelo clube. Os dois são ídolos, quem os substitua pode vir a ser, mas levará tempo e essa ciranda não ajuda a criar vínculos com a torcida.

O próximo patamar do Flamengo é poder perguntar a seus jogadores o que eles querem para ficar no clube e não ir para a Europa e não ouvir um "nada" pela fuça. Será preciso criar condições para responder a isso com dinheiro, com estrutura, com o que a Europa pode oferecer em termos culturais, educacionais... É fácil? Não. É impossível? Não pode ser.

Impossível é o que disse o presidente Landim, num momento eventual de euforia desmedida, de dar um jeito de fazer o Flamengo competir na Europa. Isso não vai dar nunca, porque o Flamengo não é europeu. O que o clube tem de fazer, no médio prazo, é competir COM A Europa.

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