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Colunas

08/01/2020 - 12:39:00

Os gringos e a tal modernidade

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Modernidade, êta palavrinha capciosa. E errante. Dizem os entendidos que nasceu na Renascença – um pleonasmo contraditório -pois se as artes e letras que iluminaram as trevas medievais inspirou-se nas obras da Antiguidade, é lá nas estátuas e pensamentos gregos, assim como na arquitetura romana, que a tal modernidade se expressou de início.

Como se vê, embora a palavrinha traga em suas entranhas o conceito de novidade e concretude, desliza facilmente para a fluidez, como uma corrente que vai e vem, onde apenas a tecnologia avança de fato. É um vai e vem de camisa pra dentro e pra fora das calças, essas modinhas que se repetem a cada ciclo, ora, esquerda; ora, direita volver…

Como já dizia o velho sábio, nada se cria, tudo se transforma.

No futebol, uma das representações do cotidiano, a moda, agora, é a de importar técnicos estrangeiros, pra ver se os nossos saem da caixinha em que se meteram há mais ou menos duas décadas. Aquela caixinha protetora de aço frio e cinzento que aboliu dos nossos campos as cores do espetáculo e a ousadia arriscada em busca do significado maior do jogo – o gol. Evitá-lo passou a ser o mote. O resto? Seja lá o que os deuses quiserem.

Ainda agora, assistindo aos jogos da Copinha, constato que esse medo de jogar já se eentranhou no comportamento dos meninos. É só observar o número excessivo das tais faltinhas chamadas de necessárias, sempre que o adversário recolhe a bola e começa a jogar. Lá vem o adversário e mata a jogada no seus nascedouro. Isso é de lei no atual futebol brasileiro. Se a jogada é assassinada no seu berço, que esperar do resto

Estufado disso tudo, diante do êxito acachapante do Flamengo de Jesus, e de Sampaoli, no Santos, campeão e vice do último Brasileirão, alguns clubes já buscam lá fora os gringos que possam mudar esse cenário sombrio.

Eis, então, que chegam o venezuelano Dudamel, os portugueses Jesualdo Ferreira e Augusto Inácio e o argentino Eduardo Coudet.

Isso, embora seja uma onda recente, não é novidade. No passado, o futebol brasileiro recorreu a essa prática ao longo de sua história.

Vale lembrar que foi um austro-húngaro, de nome Kruschner, quem trouxe a maior de todas as novidades táticas, em 1938, ao Flamengo – o WM de H. Chapman, sistema que substituiu o antigo 2-3-5, concebendo maior equilíbrio tático aos times de futebol.

Outro húngaro célebre aportou no São Paulo quase vinte anos depois pra estabelecer a objetividade que faltava ao nosso artístico desempenho e que resultou na conquista da Copa da Suécia, graças a Feola, assistente de Bella Guttman no Tricolor. Era o famoso Pim-Pam-Pum, ou Ta-Ta-Ta. Traduzindo: três toques, gol.

Entre um e outro, uma legião de uruguaios e argentinos deram seus préstimos aos clubes brasileiros, uns acrescentando isto ou aquilo; outros tantos, nada.

Dos que chegam agora, dois são portugueses pra formar um trio com o justamente festejado Jesus. Jesualdo, o mais velho, foi mestre de Jesus e é um dos pioneiros da chamada escola lusa, hoje muito festejada na Europa.

Mas, o amigo já espiou o campeonato português pela tv?

Ainda outro dia, vi o clássico entre Sporting e Porto. Cá entre nós, ó pá!, nada de muito diferente do que se vê por aqui. Muito menos do que se vê na Inglaterra, na Alemanha ou na Espanha.

Ah, mas os clubes lusos não têm o poder financeiro dos grandes desses outros países. É fato. Mas, compare com o Ajax, que, a exemplo, dos portugueses é um time de exportação. Joga um futebol muito mais cativante, embora esteja em fase oscilante.

Em todo caso, vale torcer pra que esses gringos promovam a Renascença do nosso futebol, já que os brasileiros, a cada ano, mais mergulham nas trevas medievais em todas as áreas do pensamento humano e da criatividade.

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