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Colunas

11/04/2019 - 10:52:00

Por que é tão difícil vencer?

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“O conflito humano só pode ser solucionado através do pensar” (W.R. Bion)
 
Por que tem sido tão difícil encarar a vitória? Qual seu sentido de representação emocional e social que a torna tão amedrontadora?
 
Basta acompanhar atletas de diversas modalidades atualmente para se chegar a uma conclusão óbvia: o medo da vitória tem sido a maior usina de fracasso dentro e fora do esporte.
 
Se pensarmos numa empresa e os cargos que ela oferece, perceberemos que quanto mais alta for a posição, maior será a solidão daquele que desempenha a função de chefia ou numa escala hierárquica de grande responsabilidade.
 
Empresários têm reclamado de solidão e melancolia. Alguns não se permitem ultrapassar o cargo de liderança ou, no máximo, de gerência. Daí por diante, é um tal de fazer “gols contra” para fugir – a qualquer custo – daquele espaço acima, povoado por fantasias e idealizações limitantes sobre a nova identidade a ser assumida. Em geral é mais fácil fugir desse campo das ideias através de mecanismos inconscientes de autossabotagens e armadilhas que auxiliam nesse distanciamento compulsório do sucesso e das vitórias.
 
No tênis – e em outras modalidades – esse quadro comportamental tem sido bastante comum. O jogo mental estabelecido na quadra expõe um duelo bem além das esferas física e técnica. O que há, ali, é um diagrama de forças de vivências interiores – de perfis psicológicos – de autoconceitos e as possibilidades de se identificar e ser atraído pela vitória ou pelo fracasso, como alternativa final ao desempenho.
 
Passado, presente e futuro de cada tenista representam o produto final da elaboração das dificuldades de se atingir – com êxito, o profissionalismo. Alguns atletas se comportam de uma forma tão infantil que tornam evidentes a presença e manifestação de fragilidades internas que não permitem o desenvolvimento e a concretização dos sonhos do adulto. Há horas que, na razão da emoção, é prudente jogar – quase que de forma intencional – a bola no pé da rede. Sair do status quo – do porto seguro – do elo de segurança e permitir-se subir, sem limites, como deve ser um grande campeão, é atitude de poucos no tênis moderno.
 
O atleta que consegue integrar os sonhos da criança com o presente de luta e um futuro de esperanças, sem medo de se sentir só diante do êxito, estará – certamente, muito mais próximo da vitória. Já aqueles que entendem ter conquistado o sucesso financeiro e de destaque nos tamanhos e nas formas possíveis de serem acomodadas internamente, começam a sumir lentamente do circuito internacional.
 
Gosto de lembrar o pensamento do fantástico Machado de Assis: “ o mercado dos desejos expõe seus mais tristes tesouros”.
 
E pensar que ainda existem preconceito e desinformação diante do reconhecimento e valorização da Psicologia do Esporte no Brasil…

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