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Colunas

28/07/2018 - 19:55:00

Tite caiu do andor da mídia com fracasso e Neymar foi à Copa de Hair ou de futebol?

Neymar foi à Copa de Hair ou de futebol? Tite caiu do andor da mídia e ninguém explica o fracasso


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Complexo de vira-latas, cunhado pela caneta de Nelson Rodrigues, ou a soberba que contaminou, mais uma vez, os milionários jogadores de Tite, que autografaram com seus pés tortos o testamento do fracasso em mais uma Copa, despachando-nos da Rússia dos czares e do poderoso Putin. Afinal, existem culpados? Claro que sim porque se a vitória é de todos, o fracasso deve ser dividido salomonicamente.

Enquanto isso, as ruas discutem as causas, mas ninguém chega a uma conclusão e a própria mídia, constrangida, porque fica difícil sentenciar quem falhou, depois que todo mundo – rádios, jornais e televisões na sua maioria – passou um atestado irrevogável de competência a Tite e agora fica mal execrá-lo.

ANDOR DO HEXA
Até porque a própria mídia botou Tite no andor do hexa e ninguém quer absolver ou condenar o técnico da seleção. E não dá para pendurar no armário as casacas do ufanismo e da certeza de que riscaríamos da nossa história os 7 x 1 da Alemanha e mudaríamos o curso do futebol, com mais um título mundial.

Mas por que fracassamos – e aqui não queremos colocar os autores com seus RGs, CPFs e outros documentos para estigmatizar qualquer um dos autores desse abissal fracasso.

E explicar as derrotas não é fácil, mas também não se pode cobrir com as cinzas de Jó ou de Tite aquilo que não deu certo ou a própria reincidência de certos erros. E vamos lá:

1.Tite pegou a seleção lá no fundo poço e suspeitava-se até que pudéssemos ficar fora da Copa. Ganhamos as eliminatórias e nos iludimos com a liderança do grupo Sul-Americano. Do grupo do Cone Sul só o Uruguai honrou seu passado, enquanto a Argentina levou um pontapé no traseiro na primeira fase da Copa.

2.Tite virou rei. Formou uma equipe de trabalho e toda a burocracia na CBF em regime full time. Seus assessores pareciam novos gênios da Revolução Titeana. A mídia, por sua vez, botou Tite no altar da unanimidade nacional. O novo técnico terceirizou sua assessoria com vários companheiros do Parque São Jorge. Tite corintianizou a seleção. Até porque, num futebol de nível baixo, o Corinthians ganhou tudo ou quase tudo com Tite. Só que essa métrica atual do nosso futebol, às vezes, isso nos leva a enganos.

3. O Brasil inovou no circo da Copa em Moscou. Tite convocou o que quis, chamou seus assessores de confiança, mandou Edu cuidar de tudo e levou mais de 40 à Copa – alguns falam em 60 pessoas. O técnico apostou na globalização – trouxe os craques de passaportes dourados nos bolsos e chamou alguns daqui para dizer que o elemento nacional também tinha chances. Só que esqueceu de Jô, o agudo centroavante artilheiro indiscutível na sua volta ao Brasil. Fazia gol até com a mão, malandramente.

4. Por seus critérios, Tite levou as famílias dos jogadores com mulheres e filhos, coisa que a Holanda fez e perdeu duas Copas, assim mesmo. Ir à Copa é a mesma coisa quando soldado vai à guerra não leva ninguém. Houve mistura de várias pessoas e só os parças e parentes de Neymar tiveram um tratamento diferenciado e ficaram juntos com o cai-cai da Copa.

Neymar levou dois cabeleireiros. Pensou que tinha ido à Copa de Hair e não uma Copa de futebol. Seus cabelos não desmancharam, mas o sonho do título morreu dentro daquela cabeça oca.

5. Só que os números não favorecerem Neymar, embora tivesse feito mais do que outros companheiros. O ex-futuro craque da Copa marcou dois gols, caiu em campo inúmeras vezes, chutou 27 vezes em gol, acertou 13 e sofreu 27 faltas. E terminou a Copa no bolsinho do calção de seu marcador – Fellaini. E também parou nas mãos do goleiro Curtois. Neymar poderia guardar uma frase de Lukaku:

“Não vim para pensar em mim, é a equipe que importa”.

6. Edu, assessor de Tite, desmanchou-se em elogios a Neymar. Na chegada elogiou-o tanto, condoeu-se com tudo o que aconteceu com o astro fracassado e só faltou presenteá-lo com uma caixinha de lenços de seda chinesa para e enxugar as lágrimas do chorão milionário. Detalhe: o assessor do técnico da Bélgica foi Thierry Henry, ex-craque da França. Tite tinha ao seu lado, Edu. Uma pequena diferença, como se vê.

7. Treinador deveria ser poupado nas coletivas depois dos jogos. Os microfones escondem cascas de bananas e o entrevistado engasga com o festival de impropriedades e solta besteiras por todos os lados da boca.

8. Querem ver? Vamos lá. Tite disse que os belgicanos – com licença João Mendonça Falcão, o ex-presidente da FPF – mereceram a vitória. Foram efetivos e competentes. Segundo nosso técnico, soubemos marcar, temos contra-ataques e tivemos 2/3 do jogo na mão. É melhor ter mais jogo nos pés, nas mãos, não. Citaram também que Curtois pegou tudo e Tiago Silva meteu uma bola no poste.

Tite: vamos por partes.

Foi o melhor jogo do Brasil na Copa contra a Bélgica. Ótimo, mas perdemos. Quanto ao chute de Tiago no poste e a bola não entrou, é bom não esquecer que o gol tem 7,32 m por 2,44 m e a bitola das traves é de 12 cm. É melhor treinar mais para acertar mais no gol. Se a Bélgica foi melhor, ela não tem culpa. A derrota veio porque não tivemos competência.

9. Tite ainda disse que o futebol tem o aleatório, que foi cruel com a seleção. O que é o aleatório? Vamos ao pai dos burros: aleatório – que depende de fatores incertos favoráveis ou não a um determinado evento. Eventual, fortuito, incerto. Tá explicado.

10. Pior foi um coleguinha que disse que faltou sorte. Ora, se futebol depende de sorte é bom consultar antes mãe Diná. Outro disse que perdemos pela cabeça. Ora, se temos tantos problemas emocionais, ansiedade e outras coisas mais, só Freud pode dar jeito. E ele não está entre nós. Por fim, o seguinte: explicar fracasso em Copa é pior do que explicar batom na cueca.



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