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Colunas

28/07/2018 - 19:55:00

Felipão e o dilema da renovação

Nem o jovem significa necessariamente o novo, nem o velho é obrigatoriamente sábio.


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No futebol brasileiro, então, estamos cansados de ver os jovens treinadores, tidos como estudiosos e carregando na bagagem a esperança de que os rumos sejam mudados no sentido vertical, nem os veteranos da beira do gramado têm se revelado detentores dos segredos mais profundos da bola a ponto de alterar, com sua experiência, o panorama estático dominante há duas décadas em nossos campos.

Todos, jovens e velhos, rezam pela mesma cartilha – um jogo cinzento, voltado muito mais para a defesa do que para o ataque -, desprovido de criatividade e ciência no toque de bola em progressão.

Claro que há raras exceções, com o Grêmio, que virou sobre o São Paulo na noite de quinta, tirando do Tricolor o sabor da liderança, que durou 47 minutos.

Dá gosto ver o Grêmio jogar, envolvendo o adversário do começo ao fim, com passes exatos, sob o comando de Maicon, mesmo diante de retrancas ferozes como a montada pelo São Paulo em Porto Alegre. E seu técnico nem é jovem, nem velho, tampouco o que se convencionou chamar por aí de estudioso.

É simplesmente um carinha inteligente, que viveu dentro das quatro linhas os últimos suspiros do nosso autêntico jeito de jogar bola, e que soube reproduzir nesse Grêmio os mesmos conceitos, sem temor de ser demitido por esta ou aquela derrota. Sabe por quê? Porque, se receber um pé no rabo, volta pra praia de Ipanema, cercado de belas mulheres, birra gelada no ponto, amigos divertidos e tal e cousa e lousa e maripousa.

Gaúcho de nascimento é daqueles cariocas de alma e gestos dos velhos tempos, cultor do prazer de viver e encarar o futebol como ele é em essência: mais uma diversão aos olhos e ao espírito. Isso não quer dizer que despreze a vitória ou que leve na valsa o contato com seus jogadores, nada disso. É duro e exigente, como qualquer chefe que queira seu departamento funcionando a contento. Mas, não eleva isso ao nível de prioridade. A prioridade é jogar bem. Para tanto, mais do que retesar as rédeas, é preciso soltá-las para que a moçada, lá campo, seja ela, sem peias, embora nos limites da responsabilidade.

Digo essas coisas pra recepcionar a chegada de Felipão ao Palmeiras, um gaúcho veterano assumindo o lugar de um conterrâneo novato, o Roger Machado. Meu Deus, como a gauchada tomou conta do pedaço, hein? Mérito deles, claro. Basta ver que a Seleção está sob seu comando há um bom período, com Dunga, Mano e Tite. Talvez, isso explique em parte o estilo mais defensivo adotado por todos os treinadores de origens diversas do nosso futebol. Alguém deu o balido inicial e o rebanho foi atrás.

Um desses pioneiros mais recentes, que retomou a linhagem de Brandão e Sílvio Perillo, lá atrás, foi Felipão.

Ganhou muitos títulos, perdeu outros, e cravou seu nome na história do Palmeiras, para o bem e para o mal, expressa claramente na sua última passagem pelo Parque, quando levantou a Copa do Brasil, para em seguida, afundar o time à Segunda Divisão, embora às vésperas da tragédia tenha tirado o time de campo.

Na verdade, Felipão, que já foi unanimidade no Verdão e agora é recebido mezzo a mezzo, volta como da última vez, na forma de escudo para uma diretoria que não tem um rumo certo. Tanto, que, em ano e meio, já trocou de cinco treinadores, cada um com perfil distinto do anterior. Traduzindo: os dirigentes do Palmeiras não sabem o que querem para seu time.

(Isso mais verdade que, na véspera da demissão de Roger Machado, o diretor de futebol Alexandre Matos, na Fox, garantia a permanência do treinador até o fim do contrato.)

Restauradas as finanças precárias do clube por Paulo Nobre, fruto de uma série de desmandos anteriores, o Palmeiras se escudou no patrocínio milionário de dona Leila para esbanjar contratações de alto nível. E, mesmo assim, já na gestão Galiote, não consegue alçar voo próximo da expectativa geral.

Assim, o que se prenunciava como o novo recai na velha rotina.

É bem possível que Felipão, com o elenco de que disporá, possa melhorar os índices de aproveitamento do  Verdão, que, diga-se, não são tão críticos sob o comando de Roger. Refiro-me a índices, estatísticas, não de desempenho.

Quanto a este, que é maior exigência das circunstâncias, permita-me o amigo a manter sérias reservas.

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