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Colunas

28/01/2018 - 23:26:00

A Disney do Futebol

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É impossível encontrar alguém que não sonhe ou tenha sonhado em conhecer a Disney. Crianças, adultos, orientais, ocidentais, todos se misturam nos parques de Orlando como se vivessem algumas horas fora do Planeta Terra. Esse lugar mágico encontra “filiais” em Paris e no Japão, mas de alguma maneira está espalhado pelo mundo todo, através de seus filmes, redes de televisões e produtos de todas as espécies.

Pois é, agora o futebol terá a sua Disney. Pelo menos é esse o projeto de Ferrán Soriano, antigo CEO do Barcelona e hoje desenvolvendo a primeira multinacional do esporte mais popular do mundo, através do Manchester City. O City Football Group (CFG) é uma incrível máquina de entretenimento, espalhando tentáculos por todos os continentes, atrás da expansão da marca Manchester City e com  lucros extraordinários.

Há 10 anos o City era apenas o patinho feio, de uma cidade feia, no interior da Inglaterra. Enquanto o Manchester United ganhava títulos e prestígio, o vizinho brigava com suas dívidas e insignificância no mercado da bola. E Thaksin Shinawatra  era o primeiro ministro da Tailândia e um dos homens mais ricos do mundo, até sofrer um golpe militar e pedir asilo político em Londres.

Sem poder, mas ainda com muito dinheiro, viu no futebol uma maneira de voltar a ser grande, agora com repercussão muito maior. Descobriu que o pequeno Manchester City colocara à venda seu pacote majoritário de ações para tentar equilibrar as finanças. A compra foi rápida. E as mudanças no clube também.

Só que também rapidamente o novo governo tailandês julgou e condenou Shinawatra por operações fraudulentas a dois anos de prisão. Não querendo envolver o clube, resolveu negociar suas ações, que passaram para a firma Abu Dhabi United Group Investment and Development Limited, do xeque Mansour bin Zayed bin Sultan Al Nahyan, vice primeiro ministro de Emiratos Árabes Unidos e membro da família real local. A empresa colocou  Khaldoon Al Mubarak como presidente.

Em 2012 o City ganhou a Premier League depois de 36 anos. Mas as críticas foram fortes. Gastaram um bilhão de libras na equipe o que foi considerado quase uma “compra” do título inglês. Foram criadas então rigorosas regras de Fair Play Financeiro, obrigando o bilionário árabe a buscar alternativas.

E a alternativa foi Ferrán Soriano. Ele deixara o Barcelona em 2008 frustrado com a falta de apoio do lado conservador do clube, às suas idéias de globalização da marca, através de franquias e sucursais espalhadas pelo mundo. A resistência vinha da história do Barcelona como símbolo da Catalunha, marca de um povo, que no entender de alguns, não poderia ser “espalhada”, gerando uma fuga dos objetivos primordiais da equipe.

O pessoal do City pensava exatamente ao contrário. Sorian chegou com carta branca. E mais do que isso com novo aporte de um sócio minoritário, o consócio China Media Capital, de 400 milhões de dólares. E o City Football Group (CFG), foi fundado em 2014.

Hoje, o grupo possui, seis clubes em quatro continentes, com 260 jogadores profissionais contratados (incluindo 20 mulheres).
O primeiro incorporado foi o New York City, criado do zero junto com os proprietários de los New York Yankees de beisebol, e que custou 100 milhões de dólares. Depois vieram o Melbourne Heart de Austrália, o japonês Yokohama Marinos e o Club Atlético Torque, fundado há apenas 10 anos e que em 2018 debutará na  Primeira Divisão Uruguaia. A última aquisição foram 44% das ações do Girona, revelação da atual Liga Espanhola.

Há ainda acordos de colaboração para observar jogadores com o Ghana FA, o Long Island Rough Riders  e o San Antonio FC (ambos de Estados Unidos), além do Atlético Venezuela de Caracas e do NAC Breda holandês.

A ideia é que cada clube tenha autonomia e seja alto sustentável individualmente, mas sempre dentro de um sistema de descoberta e desenvolvimento de novos atletas, estratégias de marketing, troca de informações constantes, além de metologias de treinamentos e até recuperação de atletas lesionados. Os clubes terão liberdade para ações individuais, mas há uma supervisão geral das diretrizes básicas do grupo. Uma franquia mundial do futebol. Faltava um toque final. E ele veio com a contratação de Guardiola, amigo de Sorian desde os tempos de Barcelona. Mas sobre isso falarei num futuro post.

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